sexta-feira, 25 de abril de 2014

Árvores de cidade. Os pontos verdes que deixam Lisboa respirar


Árvores de cidade. Os pontos verdes que deixam Lisboa respirar
Por Marta Cerqueira
publicado em 26 Abr 2014 in (jornal) i online
A capital nunca teve planeamento mas os lisboetas habituaram-se às calçadas levantadas ou às copas junto aos prédios

Nomes como Pinus pinea , Cupressus sempervirens ou Quercus suber, além de difíceis de ler, pouco dizem a quem não estuda temas ligados à natureza ou ao ambiente. No entanto, traduzindo esse latim em linguagem comum, dá origem a termos tão familiares como pinheiro-manso, cipreste ou sobreiro. E desengane-se quem pensa que para ver estas espécies ao vivo e a cores é obrigatória uma viagem ao campo. Estas são algumas das 190 espécies de árvores espalhadas por toda a cidade de Lisboa.

Ana Júlia Francisco, técnica da divisão de Jardins da Câmara Municipal de Lisboa, garante que a aposta tem sido na biodiversidade, daí a capital ter um arvoredo tão variado, ainda que algumas das espécies estejam pouco representadas. "Quase se pode plantar tudo, desde que depois haja capacidade de manutenção." Com quase 50 mil árvores plantadas na cidade - não contando com os aglomerados em grandes jardins e parques - a escolha das espécies tem de ser criteriosa.

"O tipo de árvore deve ser escolhido considerando sempre a envolvente", explica Ana Júlia Francisco, lamentando que não existam regras específicas nem um planeamento global para a cidade: "Os planos do projectista têm um grande peso na escolha das espécies, dando-se mais importância à parte visual da árvore na paisagem urbana." As árvores em caldeira, ou seja, aquelas que se encontram nas vias da cidade delimitadas no local de plantação, são as que necessitam de mais cuidado, por serem as que mais problemas podem trazer. "As árvores em caldeira são as que causam mais conflitos por estarem perto de estruturas da cidade, principalmente habitações", explicou a técnica da autarquia. As árvores podem ser desadequadas pela dimensão em estado adulto, tanto em espaço aéreo, como no tamanho das raízes.

Estes problemas acontecem, por exemplo, com os pinheiros no cimo do Parque Eduardo VII ou perto do Museu da Marinha, em Belém, zonas em que o asfalto se levantou por causa da força das raízes. Já na Avenida Miguel Bombarda, o principal obstáculo vem da copa das árvores, que em adultas ficaram muito próximas das fachadas.

Apesar de a plantação de árvores na cidade ser do agrado da maioria dos lisboetas, há muitas queixas de alergias sazonais. Ana Júlia Francisco garante, contudo, que a falta de informação leva a população a culpar o arvoredo da cidade, quando a maioria das alergias vem das plantas mais herbáceas.

Apesar dos incómodos que possam provocar, a técnica da câmara municipal defende que "as pessoas habituam-se rapidamente a viver com as condições oferecidas" e, por isso, as reclamações não são tão frequentes. Não deixa, no entanto, de haver alguns casos caricatos. "Já tivemos queixas de pessoas que diziam fazer alergia à árvore plantada em frente à sua porta e que por isso exigiam que fosse abatida. Se arrancássemos todas as árvores que apresentam um pequeno problema tínhamos que arrancar imensas", contou ao i.

Em Lisboa, as árvores são abatidas apenas quando estão doentes ou então quando representam riscos para pessoas ou bens. E, regra geral, são imediatamente replantadas outras. Apenas nos casos em que se prova que estão a causar estragos prementes - por estarem perto de habitações, quando ocupam a totalidade do passeio ou as raízes estão a ficar sem espaço - é que não se promove a replantação.


Com um número de árvores que tem crescido de forma constante nos últimos anos, Ana Júlia Francisco garante que "Lisboa é uma cidade bastante arborizada", ficando "a par de grande parte das capitais europeias".

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