domingo, 17 de fevereiro de 2013

Edite espera regresso de Sócrates e diz que Costa não teme.03/02/2013


 
 Edite espera regresso de Sócrates e diz que Costa não teme
2 de Fevereiro, 2013 por Helena Pereira in Sol online
Acha que Costa «sai por cima» ao correr apenas para Lisboa. E que ainda «pode ser tudo» em Portugal. Em entrevista ao SOL, Edite Estrela diz que espera o regresso de Sócrates, cujo legado a «enche de orgulho».



Estava toda a gente à espera que António Costa anunciasse a candidatura a secretário-geral do PS na última Comissão Política. O que se passou?

Foi uma discussão bastante interessante, que foi polarizada por fortes tensões, mas que mostrou que os tais pretensos sinais de crise interna, afinal, foram muito alarmistas. Foram empolados. Não chegou a ser uma constipação ou uma gripe, mas uns espirros dispersos de reacção alérgica e que conduziram a um diagnóstico que não era verdadeiro.

Refere-se aos apoiantes de António Costa, que, no entanto, tinham tido a confirmação dele de que iria avançar.

António Costa foi pressionado por algumas pessoas, e até do exterior do PS, que o quiseram empurrar para a disputa da liderança. Mas o António Costa não é uma pessoa de ceder a pressões e muito menos de deixar-se encurralar. É um pessoa que sabe dizer sim e sabe dizer não, não é uma pessoa que pertença àquele grupo dos mornos, dos que só sabem dizer nim. Fez uma escolha clara, disse que a sua prioridade é Lisboa. Ele já foi tudo: deputado, líder parlamentar, eurodeputado, vice-presidente do Parlamento Europeu, ministro de várias pastas. É uma pessoa que pode ser tudo. Pode muito bem ser primeiro-ministro (PM) e Presidente da República (PR), foram as duas funções políticas que ainda não desempenhou.

Acha que não avançou por ter medo de perder perante Seguro?

Não. António Costa não é daquelas pessoas que se amedrontam com uma qualquer disputa. Além de ser um político brilhante, é um excepcional presidente de câmara. Tem de se respeitar a vontade das pessoas. Cada um é que decide a cada momento qual é o caminho que deve seguir.

Ao não avançar agora perdeu a oportunidade de ser secretário-geral do PS até às próximas legislativas?

António Costa é um dos melhores quadros políticos do PS. Tem condições para ser tudo aquilo que queira. E, do ponto de vista etário, tem idade para ainda ser PM e PR, as duas coisas. Ainda é muito novo. Fez muito bem em ter feito a opção por Lisboa. No actual contexto, as autárquicas não deixam de ter uma leitura nacional – é inevitável que seja feita uma avaliação das políticas do Governo. António Costa será o candidato mais emblemático do PS empenhado neste importante combate.

Não fica manchado por este recuo?

Não houve recuo, acho que saiu por cima. Ele nunca disse que era candidato. Terá dito ‘serei candidato se’. Depois fez a sua própria avaliação e concluiu que não se justificava ser candidato à liderança do PS e que tinha de se concentrar a tempo inteiro na campanha de Lisboa.

Costa perdia Lisboa se fosse candidato a secretário-geral do PS? As duas candidaturas são incompatíveis?

Se Costa não fosse candidato a Lisboa, é evidente que o PS corria o risco de se confrontar com a vitória de Fernando Seara. E não gostaria, de maneira nenhuma, de ver à frente da cidade de Lisboa uma pessoa tão incompetente como Fernando Seara, que, em 12 anos em Sintra, a única coisa que fez foi um canil! Não deixa mais nada. Agora, as duas candidaturas, a secretário-geral do PS e à Câmara de Lisboa, na mesma altura é que não. O desempenho das duas funções é compatível, travar duas campanhas de natureza tão distinta ao mesmo tempo não é compatível.

Acha que ainda haverá eleições legislativas este ano?

Vivemos uma situação dramática e insustentável para muitas famílias. Mas há uma maioria que sustenta o Governo na AR, isso depende da maioria. Se Paulo Portas disse que era a última vez que dava apoio a determinadas medidas orçamentais, vamos ver o que vai acontecer quando for discutido o próximo OE. Isso já não depende do PS. O PS_tem de fazer o seu trabalho de oposição e apresentar propostas e denunciar o que está a ser feito de mal no país.

Acredita que Seguro vai ser o próximo PM?

Quando houver eleições legislativas, estou convencida que o secretário-geral do PS será PM. Se houver eleições legislativas este ano, tudo leva a crer que sim. Tenho a certeza que sim.

O secretário-geral eleito nas próximas directas terá mandato para quatro anos. Costa vai ter que esperar mais quatro anos?

Isso é o que está nos estatutos, mas a vida não é estática. Muitas coisas podem acontecer. Não sabemos o que pode acontecer em meia dúzia de meses, quanto mais em quatro anos! A situação do país não pode continuar durante muito tempo tal como está e exige que o PS construa uma alternativa. É fundamental que o PS esteja unido e coeso e forte para corresponder às expectativas dos portugueses. Estes tempos difíceis que vivemos não facilitam a vida dos líderes da oposição, que nunca foi fácil. No actual contexto, é ainda mais difícil. Mas o António José Seguro é um homem sério, dedicado, que sabe ouvir e que vai unir o partido, mas são precisos acertos.

Que acertos?

A vida interna dos partidos tem a sua dinâmica própria e qualquer direcção deve estar atenta e saber interpretar os sinais, mobilizar a diversidade, que não põe em causa a unidade no essencial.

Seguro não conseguiu integrar os ex-governantes de Sócrates?

Não posso pronunciar-me, não estou na AR. Apoiei Francisco Assis nas últimas directas e posso dizer que tenho tido uma relação de lealdade e confiança com Seguro e de total sintonia política sobre as questões europeias.

Na Comissão Política, Seguro disse que as movimentações contra si representavam um regresso ao passado. É uma crítica ao socratismo?

Espero que não tenha sido essa a intenção. Não quero fazer juízos de intenção. O PS tem de defender e ter orgulho no legado dos governos socialistas, seja do António Guterres, seja de José Sócrates. O legado dos governos de José Sócrates enche de orgulho os socialistas. É de elementar justiça que o PS defenda esse legado.

E tem defendido?

Há momentos em que podia ter defendido mais. Logo a seguir às eleições, não fez uma defesa muito firme.

Ao fim de quase dois anos, a memória de Sócrates está mais ou menos distante?

O que vejo é muita gente a reconhecer o bom trabalho que fez como PM e muita gente arrependida de ter votado PSD e arrependida de o ter criticado e de não lhe ter dado o apoio que ele merecia.

Sócrates está quase a acabar o seu período académico. Deseja que ele regresse à política portuguesa?

Tendo em conta a qualidade que tem, será uma mais-valia para o PS.

helena.pereira@sol.pt



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